Blog Ansiedade Explicada
Ficar sem jeito numa festa, preferir ouvir a falar, demorar para se soltar com gente nova: isso pode ser só timidez. Mas quando o medo de ser julgado faz você evitar situações, sofrer dias antes de um encontro ou se sentir travado com frequência, pode ser ansiedade social. Saber a diferença ajuda a cuidar de você do jeito certo.
Muita gente cresce ouvindo que é “tímida”, como se fosse um traço fixo da personalidade. E, muitas vezes, é mesmo. Timidez não é problema. Mas existe um ponto em que o desconforto com pessoas deixa de ser só um jeito de ser e começa a limitar a vida.
A pessoa tímida pode se sentir insegura no começo de uma interação, falar menos em grupos grandes ou precisar de um tempo para se sentir à vontade. Com o tempo e com pessoas conhecidas, esse desconforto costuma diminuir. Ela participa da vida social, mesmo que do seu jeito.
Na ansiedade social, o que aparece é um medo intenso de ser avaliado de forma negativa pelos outros. A pessoa teme passar vergonha, ser criticada ou parecer inadequada. Segundo o Manual MSD, o transtorno de ansiedade social envolve medo e ansiedade acentuados e persistentes, por pelo menos seis meses, em situações sociais ou de desempenho em que a pessoa pode ser observada.
Algumas situações comuns são falar em público, comer na frente de outras pessoas, conhecer gente nova ou participar de reuniões. O mesmo manual estima que o transtorno afete de 3% a 7% das pessoas ao longo de um ano.
Este texto não é um diagnóstico. Só uma avaliação profissional pode dizer se é timidez, ansiedade social ou outra questão.
Evitar uma situação que dá medo traz alívio imediato. O problema é que, com o tempo, esse alívio reforça a ideia de que a situação é perigosa e de que você não daria conta dela. Assim, a lista do que se evita tende a crescer, e a vida vai ficando menor.
Por isso, aos poucos, a ansiedade social pode afetar amizades, relacionamentos e oportunidades profissionais, mesmo em quem tem muita vontade de se conectar com os outros.
O Manual MSD aponta a Terapia Cognitivo-Comportamental e a terapia de exposição como abordagens centrais no tratamento da ansiedade social.
Na prática, a terapia ajuda a identificar os pensamentos que alimentam o medo, como “todos vão perceber que estou nervoso”, e a testar se eles se confirmam. Junto com isso, a pessoa se aproxima de forma gradual das situações que evita, no seu ritmo e com estratégias combinadas na terapia, para recuperar a confiança aos poucos.
O objetivo não é transformar ninguém em alguém extrovertido. É fazer com que o medo deixe de decidir onde você vai, com quem fala e o que se permite tentar.
A Giulia atende online, num espaço acolhedor e sem julgamento, adaptado ao seu jeito e ao seu momento.