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Por que o cigarro parece acalmar a ansiedade

“Só um cigarro para aguentar o dia.” Para muita gente, fumar parece a forma mais rápida de acalmar a ansiedade. Mas parte desse alívio vem de um ciclo criado pela própria nicotina. Entender esse mecanismo ajuda a olhar para o cigarro com menos culpa e mais clareza.

Depois de uma reunião tensa, de uma discussão ou de um dia cheio, acender um cigarro parece trazer um respiro. A sensação de alívio é real. A questão é entender de onde ela vem, porque isso muda a forma de enxergar o próprio hábito.

O alívio é real, mas tem uma explicação

A nicotina causa dependência. Quando o nível de nicotina no corpo cai entre um cigarro e outro, surgem sintomas de abstinência. Segundo material do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para quem está deixando de fumar, tensão e ansiedade estão entre esses sintomas comuns.

Ou seja: parte da ansiedade que o cigarro “acalma” foi criada pela falta do próprio cigarro. O próximo cigarro alivia essa abstinência, e o cérebro registra que fumar acalma.

O ciclo entre cigarro e ansiedade

O ciclo costuma funcionar assim:

  1. Algo gera tensão: trabalho, uma conversa difícil, o trânsito.
  2. Ao mesmo tempo, o corpo sente a queda da nicotina.
  3. O cigarro alivia as duas coisas por alguns minutos.
  4. O alívio passa, a abstinência volta, e a vontade aparece de novo.

Com o tempo, o cigarro fica associado a muitos momentos do dia: o café, o intervalo, depois das refeições, as situações de estresse. Ele deixa de ser só um hábito e passa a ser a principal forma de lidar com o desconforto.

E quando a pessoa para de fumar?

O medo de ficar mais ansioso sem o cigarro é muito comum. Os primeiros dias podem mesmo trazer desconforto. Mas o mesmo material do INCA explica que a maioria dos sintomas de abstinência desaparece em uma a duas semanas, e que a vontade intensa de fumar costuma diminuir depois de alguns dias.

Além disso, uma revisão de estudos publicada no BMJ em 2014 observou que parar de fumar está associado a níveis menores de ansiedade, depressão e estresse em comparação com continuar fumando. Por serem estudos observacionais, eles mostram uma associação, e não uma prova de causa e efeito, mas o resultado ajuda a desfazer a ideia de que o cigarro é um aliado contra a ansiedade.

Onde a terapia entra

Parar de fumar envolve o corpo, mas também os hábitos e as emoções. Na Terapia Cognitivo-Comportamental, a pessoa aprende a identificar os gatilhos do cigarro, os pensamentos que aparecem nesses momentos, como “não vou aguentar sem fumar”, e a construir outras formas de lidar com a ansiedade no dia a dia.

A terapia pode caminhar junto com o acompanhamento médico. No Brasil, o SUS oferece tratamento gratuito para quem quer parar de fumar, com acompanhamento profissional e, quando indicado, medicamentos. Vale procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima.

Se o cigarro virou sua principal forma de aliviar a tensão, você não está sozinho, e não precisa resolver isso só na força de vontade.

Quer entender o que está por trás do seu cigarro?

Giulia atende online e pode ajudar você a encontrar outras formas de lidar com a ansiedade.